“A habilidade necessária para ser designer é a sensibilidade”

Designer é o profissional que comunica visualmente. Isso parece bem amplo e, na realidade, é mesmo. Existe um leque de possibilidades que envolvem a profissão. Desde a hora que você acorda até a hora em que vai dormir, praticamente tudo ao seu redor é fruto do design: a estampa no lençol, o desenho na xícara do café da manhã, o folheto de propaganda, o cartão de visitas, o carro, o aplicativo do celular, os posts das redes sociais, as roupas, os sapatos, a embalagem de perfume, a capa do livro… “O que muita gente confunde é que para ser um trabalho de design é preciso que o público que vai consumir entenda a mensagem a ser passada de maneira clara. Mesmo que esse processo ocorra subconscientemente”, explica Juliana Mavalli, 21 anos, designer no QuintoAndar.com.

Foto: Juliana Romano

A Ju trabalha a 3 anos na área e já variou bastante quanto aos formatos. “Já fiz produção gráfica, embalagem de produtos de beleza, mídias sociais, identidade visual, grafite, ilustração…”, conta. Para ela, o poder de mudança é o melhor ponto de ser designer. “Como a gente cria peças visuais, que chamam bastante atenção, nosso poder de persuasão é enorme, temos a chance de dar voz a projetos incríveis e fazer com que o alcance deles aumente significativamente”.

Certamente, a profissão tem um leque enorme de diferentes áreas no mercado de trabalho. Qual você mais gosta e por quê?

Eu sou geminiana, então gosto de versatilidade. Já me peguei apaixonada por embalagem, por mídias, por diagramação de livros, costura manual, fotografia… Mas sempre brinco que meu coração é de ilustradora. Ilustração para mim é aquele trabalho que também é diversão. É o que me dá um brilho no olho de fazer e sair mostrando para todo mundo. É aquela coisa que eu faço nas horas vagas e que quando é remunerado então, melhor ainda!

Como é o ambiente de onde você trabalha, como são as pessoas, prazos, horários, etc?

O ambiente do QuintoAndar é descontraído na medida, como uma startup tem que ser. Tem um ar jovem e inspirador ao mesmo tempo em que é desafiador e frenético. As pessoas são incríveis, dá para ver que todo mundo é engajado com a missão da empresa e não mede esforços para revolucionar o mercado e tornar a vida dos clientes mais fácil e prazerosa. Nunca trabalhei em um ambiente com pessoas tão diversas: tem engenheiros, designers, programadores, jornalistas, todos convivendo e aprendendo uns com os outros. Além de gente vinda das mais diversas partes do mundo: tem polonês, americano, cearense, mineiro, italiano… É uma troca cultural e intelectual muito rica.

Como descobriu que queria seguir nessa carreira? Qual a maior habilidade que você tem que ter?

Descobri meio por acaso. Eu amava desenhar, mas achava que trabalhar com isso era algo impossível, muito utópico. Todo mundo reforçava que desenho não ia dar dinheiro, que não bastava desenhar, tinha que achar uma profissão que desse sustento, uma profissão de verdade. Até que fuçando um blog de ilustrações e histórias em quadrinho encontrei essa palavra: design. Eu não entendi muito bem na hora, mas sabia que queria aquilo pra vida. E, confesso, não foi fácil entender todas as possibilidades que a palavra carregava.

Quando entrei na faculdade achei que não me encantaria por mais nada além de ilustração e que todo mundo pensaria igual eu. Quando, na verdade, muitas das pessoas da minha turma sequer desenhavam. Algumas tinham entrado por gostarem de editorial, outras de embalagem, game, webdesign. Mas no final, na minha opinião, a maior habilidade que tem que se ter para ser designer é a sensibilidade. Sensibilidade para captar e repassar de forma harmônica a essência do produto, seja ele qual for. E sensibilidade para agradar ao cliente, ao consumidor, ao público e a si mesmo.

Qual conselho você daria para quem quer entrar nessa carreira?

Vem! Mas vem apaixonado. Serão muitos desafios, provavelmente seus pais não vão conseguir pronunciar o nome da sua profissão, mas eu juro, de pé junto, que vai ser um trabalho imensamente gratificante. Só de ver sua embalagem na prateleira da perfumaria, seu post sendo compartilhado por milhões de pessoas, sua ilustração pendurada na parede do quarto de alguém. Só de saber que você conseguiu mudar o mundo, nem que minimamente, você vai ver que entrou na carreira certa.

 

*Para ver mais trabalhos da Ju é só entrar em: julianamavalli.com